O laudo pericial (DOC/IPI nº 3559192 / PI-IPI nº 3563346.2026), assinado pelo perito Adm.
Anísio Costa Castelo Branco para a 6ª Promotoria de Justiça Criminal do MP-SP, apontou inconsistências graves na cobrança movida pela Caixa contra o Corinthians pelo financiamento da Arena Neo Química.
A apuração conduzida pelo promotor Cássio Conserino aponta risco de cobrança em duplicidade, juros de até 450,73% ao mês e reflexos diretos na campanha do Pix organizada pela torcida.
Risco de “cobrança dupla” e juros de até 450% ao mês A perícia identificou um erro de lógica na ação de execução movida pelo banco desde 2019.
A Caixa cobrou isoladamente R$ 37.865.968,46 em prestações em atraso, valores que já haviam sido incorporados à atualização do saldo devedor principal.
Na prática, o banco teria exigido duas vezes a mesma obrigação do clube.
Além disso, foram mapeados juros sem padrão contratual que atingiram o pico de 450,73% ao mês em agosto de 2019, encargo classificado no relatório como potencialmente abusivo.
Divergência de R$ 402 milhões no saldo devedor A combinação de encargos sem parâmetro e a inclusão duplicada de parcelas gerou uma divergência milionária no montante cobrado da administração do estádio: Saldo exigido pela Caixa em agosto de 2019: R$ 536.092.853,27 Saldo real recalculado pelo IPI na mesma data-base: R$ 280.339.847,34 Diferença cobrada a mais em 2019: R$ 255.753.005,93 Diferença acumulada e corrigida até agosto de 2026: R$ 402.705.448,77 Um dos desdobramentos: a meta do Pix da torcida sob suspeita Com a inflação no saldo devedor da Neo Química Arena, a perícia demonstrou preocupação com a arrecadação promovida pelos torcedores corintianos.
Entre novembro de 2024 e novembro de 2025, a campanha via Pix da Gaviões da Fiel reuniu R$ 41 milhões em doações voluntárias enviadas à conta da Arena Itaquera S.A. para abater a dívida.
O laudo pontua que a meta de R$ 720 milhões aceita no acordo perante a Justiça Federal (CECON/TRF-3) em novembro de 2024 era meramente “documental” e sem respaldo financeiro real.
Por isso, levanta-se a hipótese de que a torcida organizada e os doadores possam ter sido induzidos a erro ao se mobilizarem para abater um débito baseado em dados divergentes.
O IPI recomendou ao promotor Cássio Conserino o exame minucioso da conta bancária da Arena Itaquera S.A.
O objetivo é mapear as entradas do Pix, obter comprovantes dos repasses e certificar se os R$ 41 milhões foram efetivamente abatidos do saldo devedor real do Corinthians.
Até o momento da publicação desta matéria, a Gaviões da Fiel e a Caixa Econômica não se pronunciaram sobre os apontamentos.
O que diz a Caixa A Caixa afirma que o contrato de financiamento firmado com o Corinthians observou rigorosamente a legislação vigente, as normas do Banco Central do Brasil e do Sistema Financeiro Nacional, não havendo qualquer aspecto da operação que extrapole o regime jurídico aplicável a contratos dessa natureza. “A contratação original, de 2013, e a renegociação concluída, em 2022, foram submetidas e acompanhadas por efetivo assessoramento técnico e jurídico da Caixa e do Corinthians, bem como aprovadas por rigorosas regras de governança, de ambos os lados”, diz o banco.
A Caixa ressalta, ainda, que informações específicas sobre operações de crédito e seus termos contratuais estão protegidas pelo sigilo bancário, nos termos da Lei Complementar n° 105/2001. “Por esse motivo, a instituição não pode comentar detalhes do contrato, limitando-se a reafirmar que sua atuação observou a legislação aplicável, normativos internos, controles e compliance, tanto da Caixa, quanto do Corinthians.”
Fonte: tmc.com.br














