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Filha de Volpi irá examinar obras de Abilio Diniz em disputa judicial

Filha de Volpi irá examinar obras de Abilio Diniz em disputa judicial Filha de Volpi irá examinar obras de Abilio Diniz em disputa judicial

A disputa judicial sobre a autenticidade de duas pinturas atribuídas a Alfredo Volpi, adquiridas pelo empresário Abilio Diniz, ganhou um novo capítulo em São Paulo.

Em decisão, o juiz Pedro Henrique Valdevite Agostinho, da 34ª Vara Cível, determinou providências para que Eugênia Maria Volpi Pinto, filha do artista, examine diretamente as obras pessoalmente ou a fotografia indicada nos autos.

No mesmo despacho, nomeou um novo perito judicial para elaborar laudo técnico sobre o caso.

O profissional escolhido foi Gustavo Raúl Perino, que substituirá o perito anterior, que recusou a função.

As duas medidas são independentes, mas podem ocorrer simultaneamente.

A participação da filha do pintor, portanto, não substitui a perícia judicial: o processo prevê tanto o exame direto por Eugênia quanto a elaboração de um novo laudo técnico.

Um dos fundamentos apresentados para a participação de Eugênia no caso é uma declaração atribuída ao próprio Alfredo Volpi, segundo a qual a filha seria a pessoa mais capacitada para reconhecer e atestar a autenticidade de suas obras.

Leia Mais Zagallo utilizou conta bancária com saldo de R$ 8,4 milhões para doações milionárias ao filho caçula Duas pinturas compradas por R$ 69 mil A disputa começou após Abilio Diniz adquirir, em abril de 2007, duas pinturas a óleo sobre tela atribuídas a Volpi: Bandeirinhas com Mastro e Bandeirinhas.

As obras custaram, juntas, R$ 69 mil e foram posteriormente doadas pelo empresário à mulher, Geyze Marchesi Diniz, que figura como autora da ação ao lado do marido, falecido em Fevereiro de 2024 aos 87 anos.

Em 2015, o Instituto Alfredo Volpi de Arte Moderna foi consultado sobre a autenticidade das pinturas e concluiu que elas não eram autênticas, deixando de emitir os respectivos certificados.

Pareceres de outros profissionais também foram apresentados pelos compradores para sustentar o questionamento.

A Galeria Pintura Brasileira, responsável pela venda, contestou as conclusões e defendeu a autenticidade das telas.

A empresa também questionou aspectos técnicos da perícia judicial anterior e a atuação de um assistente técnico ligado ao instituto que já havia se manifestado sobre as obras.

A controvérsia passou, assim, a envolver não apenas a origem e a autenticidade das pinturas, mas também a consistência das avaliações técnicas produzidas durante o processo.

Justiça anulou condenação e determinou nova perícia Em março de 2025, a 34ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo anulou a sentença de primeira instância, que havia condenado a galeria e o curador ao pagamento de indenizações aos compradores.

A condenação previa R$ 138 mil por danos materiais e R$ 50 mil para cada um dos autores por danos morais, totalizando R$ 238 mil, antes de eventuais acréscimos.

Ao analisar o recurso, o colegiado entendeu que as provas produzidas não permitiam concluir com segurança se as pinturas eram ou não autênticas.

Por isso, determinou a realização de nova perícia e outras providências para aprofundar a instrução do processo.

A relatora, desembargadora Cristina Zucchi, também apontou questionamentos sobre a imparcialidade do assistente técnico que participou da perícia anterior.

Além disso, identificou uma inconsistência nas datas de um documento apresentado como declaração de autenticidade atribuída a Eugênia Volpi Pinto.

A questão envolve a data do documento e a do reconhecimento de firma, circunstância que motivou a determinação de esclarecimentos sobre sua origem e validade.

Fonte: Estado de Minas

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